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Numa época em que o digital prevalece e se mistura com a vida real, surgem questões sobre a forma de continuar a mostrar a criatividade fora e dentro dos ecrãs. O 180 Media Lab surgiu de um desejo de abraçar a improvisação e a experimentação para dar origem a ideias originais.
Foi durante a última semana de novembro de 2021 que o 180 Media Lab reuniu talentos disruptivos de vários mundos num programa que visa repensar a cultura tanto na vida real como online. O programa ofereceu uma perspetiva multidisciplinar e abrangente sobre a criação de novas formas culturais e meios de expressão para o futuro.
Estamos a assistir a uma mudança global: uma revolução de formatos. Estão a nascer novos formatos, em crescimento exponencial, e os contadores de histórias estão a virar a página das narrativas tradicionais e a reformar a forma como o público vê os conteúdos. Isto, de certa forma, não é surpreendente. As manifestações artísticas têm sido uma variante consistente ao longo dos anos, nunca deixando de marcar uma posição em tempos invulgares e inquietantes. Então, porque é que desta vez é diferente?
Como podemos juntar as comunidades para explorar as oportunidades da fusão de velhos e novos media? A curadora Joana Seguro foi convidada a dar forma a esta ideia de fazer um evento híbrido, online e físico, com espaço para todas as expressões artísticas e que nos fizesse pensar no mundo que está para vir, num contexto pós-pandémico.
180 MEDIA LAB — NEW IDEAS FOR OLD FORMATS
“
Isto não é uma academia.
Isto não é um festival.
Isto não é uma exposição.
Isto não é uma emissão.
Isto é experimental, híbrido, concetual, invulgar, estranho, lúdico, estranho e contraditório e tudo o que foi dito acima.
”
— Joana Seguro, curadora do180 Media Lab
ARTISTIC CIRCUIT
Como explica Joana Seguro, o Circuito Artístico surge da tentativa de alargar os conteúdos exibidos no Canal180 ao Porto, de forma a criar uma “forma diferente de navegar na cidade”.
THE WRONG TV
Celebrando a cultura digital desde 2013, o wrong é um esforço colaborativo que aproveita o potencial da internet, moldado como uma bienal de arte global descentralizada e um canal de televisão, aberto à participação, acontecendo tanto online como offline.
curado por David Quiles Guilló
Installation by Pedro Maia & Joana da Conceição
No 180 Media Lab, Pedro Maia apresentou o seu trabalho Variações sobre o Espaço Negativo (2021) com a banda sonora de Joana da Conceição. Utilizando a película analógica de 16mm como ponto de partida, Pedro Maia desafia as possibilidades de materialidade e forma do próprio meio.
Installation by Berru
O Coletivo Berru apresentou a instalação Sistema de Interferência Electromagnética (2021) na Garagem 180. Iteração de um sistema composto por um ecrã, um sensor e um conversor. O sistema está em loop de feedback e em equilíbrio dinâmico, gerado pela (re)injeção de interferência electromagnética como vídeo no funcionamento de cada ecrã. O som deste comportamento é visível no objeto e amplificado no espaço.
E então estávamos AO VIVO. Como forma de trazer a experiência física que havia acontecido no circuito artístico para o digital e seus públicos, criamos duas transmissões especiais que foram ao ar na televisão (Canal180) e online, no Twitch.
EMISSION I — NOINDEX
Através da conversa, do som, da escrita, da performance e do trabalho em vídeo, o NOINDEX é um projeto colectivo que ambiciona uma deslocação desta coordenada centralizada e procura eliminar os seus sinais visuais e gatilhos de impulso até que tudo o que reste seja um futuro que imaginamos em conjunto, em vez daquele que nos é constantemente apresentado. Com apresentação de Amar Ediriwira e Clayton Vomero, o NOINDEX conta com a participação do filósofo Srećko Horvat e música de DJ Firmeza, assim como trabalhos visuais de vários artistas, convertendo toda a experiência num NFT disponível para compra.
EMISSION II — 180 MEDIA LAB LIVE
O 180 Media Lab Live consistiu num cabaré que reuniu todos os nossos participantes e novos amigos numa fusão de conteúdos filmados e actuações ao vivo. Com direção de Joana Domingues, o 180 Media Lab Live assinalou o fim de uma semana de diversão e experimentação no Porto, através de uma transmissão televisiva que mostra colaborações e peças individuais que atravessam géneros, disciplinas e narrativas.
Esta primeira experiência permitiu-nos chegar a novos artistas que, mesmo sem se conhecerem, conseguiram colaborar, combinando as suas técnicas e criando algo novo. Todos os dias surgia algo diferente, que desafiava tanto os artistas como o público a adaptarem-se.
Com o 180 Media Lab, ao quebrar estruturas e conceitos pré-definidos e através da colaboração, assistimos ao surgimento de um espaço para novas ideias e para uma nova geração de criadores.
BERRU
Berru é um coletivo de artistas que têm vindo a desenvolver obras baseadas na exploração de diferentes mecanismos, conceitos e materiais. Trabalham indistintamente com imagens em movimento, escultura, som, novos media, sendo que há sempre um elemento muito dinâmico e performativo em todas as suas peças.
PEDRO MAIA
Pedro Maia é um cineasta português que trabalha predominantemente com filmes em 16mm e 8mm, expandindo os limites e a estética do cinema analógico ao manipular os materiais brutos e desafiar o processo tradicional, ampliando continuamente o património visual e tecnológico dos métodos clássicos de filmagem.
JOANA DA CONCEIÇÃO
A prática de Joana da Conceição desenvolve-se entre a pintura e a música. Desde 2005, forma, juntamente com André Abel, a dupla de composição electrónica contemporânea Tropa Macaca.
AMAR EDIRIWIRA
Amar Ediriwira é um escritor e curador baseado em Londres. Atualmente, é o diretor criativo da Boiler Room, onde define a agenda de todos os principais projetos. É também o fundador da plataforma de vídeo 4:3.
CLAYTON VOMERO
Clayton Vomero é um artista e cineasta baseado em Nova Iorque e Nápoles, que trabalha em cinema, fotografia, música e texto. O seu filme Gang ganhou uma atenção significativa aquando da sua estreia em 2015, pela sua representação crua e emocional da juventude de Nova Iorque.
DJ FIRMEZA
DJ Firmeza é como um mágico que toca música ao vivo no domínio dos entrelaçamentos percussivos de outra dimensão, conduzindo a pista de dança para um transe colectivo que o seu núcleo espiritual convoca com naturalidade.
SREĆKO HORVAT
Srećko Horvat é um filósofo, autor e ativista político croata. O semanário alemão Der Freitag descreveu-o como “uma das vozes mais entusiasmantes da sua geração”, e tem sido apontado como “uma voz ardente de dissidência no panorama pós-jugoslavo”.
MIRA CALIX
Mira Calix é uma artista e compositora premiada, residente no Reino Unido. A música e o som, que considera materiais escultóricos, estão no centro da sua prática. O seu trabalho explora a manipulação desse material em formas visíveis e físicas através de instalações multidisciplinares, escultura, vídeo e performances.
LOÏC PERELA
Loïc Perela é um coreógrafo independente e professor de dança. Estudou na ENSDM, em Marselha, e no CNSMDP, em Paris, entre 1998 e 2004. Trabalhou como bailarino na IT Dansa, em Barcelona, na Donlon Dance Company, em Saarbrücken, e no Scapino Ballet, em Roterdão, entre 2004 e 2012.
POLIDO
Polido é compositor e artista, atualmente baseado em Lisboa. Partindo das propriedades materiais e tecnológicas do som — e da sua dimensão relacional e imaterial —, o seu trabalho aborda questões de linguagem, arquivo e interseções entre as histórias da música e a política.
CARMINDA SOARES
Carminda Soares é uma criadora emergente, bailarina e intérprete. Concluiu o programa de dança contemporânea Art Factory International - Dance Start Up VIII e, em 2016, a Formação Avançada em Interpretação e Criação Coreográfica da Companhia Instável.
MARIA R. SOARES
Maria R. Soares é bailarina e criadora emergente. Concluiu o Programa de Formação Avançada em Interpretação e Criação Coreográfica da Companhia Instável e o programa profissional de dança contemporânea da Art Factory International.
DJ NARCISO
DJ Narciso destaca-se como produtor numa contínua fluidez criativa de novos temas e ferramentas de DJ, densos e flexíveis na mesma proporção, trabalhando entre melodia e batidas metálicas com igual proficiência, tanto em rotações baixas como altas.
MIGUEL JANUÁRIO
Miguel Januário nasceu no Porto em 1981. Estudou Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em 1999 e, a partir desse ano, começou a desenvolver intervenções de graffiti no espaço urbano.
CATARINA MIRANDA
Catarina Miranda tem desenvolvido discursos ficcionais, cujas linguagens intersectam a dança, a voz, a cenografia e a luz, abordando o corpo como um veículo de transformação hipnagógica e de consciencialização do presente.
ARMANDO SOUSA — FONOTECA MUNICIPAL DO PORTO
Armando Sousa é o arquivista e programador da Fonoteca Municipal do Porto. Com cerca de 35.000 discos de vinil, este espaço, situado em Campanhã, na Arda Recorders, é um arquivo sonoro e um espaço público para a apreciação musical.
HERLANDER
Herlander é artista, intérprete, produtor e vocalista que pretende reescrever as regras do padrão da música popular. Com o seu som antipop, mergulha em águas sem género, harmonizando vozes e sons particulares que conseguem coexistir na mesma sala.
IRENE ALVAR
Irene Alvar (Madrid, 1988) Iniciou os seus estudos musicais aos 9 anos. Em 2006, recebeu um prémio de entrada para estudar um curso de licenciatura no Royal Northern College of Music, em Manchester (Reino Unido). Devido ao seu interesse pela interpretação orquestral, após concluir a licenciatura, mudou-se para Gotemburgo, Suécia, onde realizou um Mestrado de dois anos na Swedish National Orchestra Academy.
QUENTIN SMIRHES
Quentin Smirhes, criada pelo escritor, cineasta e performer Sean Reynard, é uma febril reinterpretação da televisão escolar infantil dos anos setenta, saída do fundo do armário.
_BLANK
_blank, também conhecida por Blanca Rego, é cineasta, artista de media, escritora e investigadora. Fortemente influenciada pelo cinema experimental e pela música eletrónica, a sua obra centra-se na relação entre o som e a imagem.
LOLO & SOSAKU
Lolo & Sosaku exploram as possibilidades da escultura como campo expandido. O nexo que une o seu trabalho é a procura de um objeto em contacto com o seu entorno e com o espectador, um objeto que procura fricção e tensão, explorando a capacidade de criar novos significados.
A. BILL MILLER
Existimos dentro de um ambiente construído que é constantemente mediado pela grelha. As grelhas organizam o espaço através de mapeamentos coordenados e padrões de desenvolvimento. Comprimem, reexibem e reorganizam a informação. As grelhas são um sistema de imposição que se aplica tanto à natureza como à cultura. A frieza e racionalidade da grelha confrontam-se com o calor e a ludicidade do toque humano.
This article was written by Carolina Ribeiro and Nicole Gonçalves.
featuring 180 Media Lab: Aftermovie directed by João Martins, produced by José Guilherme Marques and Nicole Gonçalves,
filmed by João Martins, Carolina Ribeiro, Lourenço Ribeiro and Nicole Gonçalves and with graphics by Mário Meira.
180 Media Lab was produced by Canal180 in partnership with Porto/Post/Doc with a programme curated by Joana Seguro and produced by Joana Mesquita Alves.
Proofreading and translation of the video and this article by Eva Magro.
Published on December 2021.