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Com a vontade de capacitar as novas gerações de criativos para serem mais confiantes nas suas carreiras nos media, seja no cinema, na fotografia ou na produção cultural e artística, o 180 Media Lab, decorreu nos últimos dias de novembro, com uma semana inteira dedicada à partilha de conhecimentos sobre como navegar no campo criativo e cultural, e como espaço de reflexão artística através de exposições e projeções.
Desde metodologias criativas até à forma de obter financiamento para o seu projeto, o 180 Media Lab organizou workshops e palestras, tanto online como na sede do Canal 180, adaptados tanto a jovens criativos como a especialistas experientes.
Como estamos tão sobrecarregados por uma rotina em que a distinção entre vida real e online se tornou tão ténue, é importante tentar compreender os nossos próprios papéis como criadores e consumidores de conteúdos, encontrar a melhor forma de nos promovermos num mundo tão ruidoso e competitivo e criar e abraçar uma versão mais arrojada de nós próprios nos meios de comunicação social. Temos de nos inspirar no passado para abraçar o futuro e adaptarmo-nos ao presente.
Na cultura, comunicamos emoções, sentidos, sentimentos e conhecimentos. Como é que vamos transferir esses elementos para mensagens, canais e imagens? E como podemos beneficiar ao descobrir a metodologia por detrás do lançamento de conteúdos, o funcionamento de cada plataforma e o poder do vídeo e da segmentação de audiências? Estas foram algumas das questões que tentámos responder e explorar durante os workshops.
180 MEDIA LAB — NEW IDEAS FOR OLD FORMATS
“
Na comunicação,
esquecemo-nos muitas vezes de olhar para trás.
Penso que avançar
muito depressa não é bom
quando se perde o contexto
do que se está a fazer.
”
— Georgia Taglietti, convidada do180 Media Lab
WORKSHOPS
Art, Film, Music and how to talk about it — by Georgia Taglietti
Um workshop sobre como aprender com os modelos de comunicação do passado e adaptá-los aos novos canais. A comunicação cultural vai para além do marketing, dos algoritmos e dos objetivos.
Lorem ipsum
Destinado a criadores independentes que pretendem produzir os seus próprios projetos transmédia, este workshop ofereceu informações práticas e técnicas para desenvolver um conceito forte, encontrar a tecnologia certa para o mesmo e definir estratégias holísticas para um financiamento bem sucedido.
Content creation for social media — by Ana Viotti
Neste workshop, prestámos especial atenção à criação de conteúdos, à metodologia por detrás do lançamento de conteúdos, ao funcionamento de cada plataforma e ao poder do vídeo e da segmentação de audiências.
TALKS
Do Black Boys Look Blue? — por Jesualdo Lopes
"Do Black Boys Look Blue?" iniciou um diálogo vital sobre a representação mediática dos homens negros e a necessidade de espaços genuínos para debates sobre saúde mental, género, etc., sem se conformar com estereótipos.
Anarchitecture: dialogues about a place — por Fahr 021.3
Partindo do termo cunhado nos anos 70 por um grupo de jovens artistas que viriam a marcar as gerações futuras da arte e da arquitetura, a FAHR propôs um diálogo sobre a prática como um processo informal de criação de lugares multidimensionais e sobre a forma como um espaço pode servir de campo de reflexão e de transmissão de novas ideias.
The world of live music for a digital audience — por state51 Conspiracy
The state51 Conspiracy é uma empresa de música completamente independente. Com um ambiente criativo único dedicado a um público amante de música, a state51 trabalha com editoras discográficas e artistas na distribuição física, distribuição digital, marketing, gestão de direitos e monetização. Nesta palestra, abordam a forma como a música ao vivo se adapta a um público digital.
Identifying the shapes of ideas: Exploring intuition in developing your video concepts — por Adam Willis
Esta conversa explorou os processos através dos quais exploramos a ideação e aperfeiçoamos os nossos impulsos no âmbito do processo criativo da realização de filmes. Também se discutiu como é que as ideias nos surgem, de onde e de que forma, e como podemos cultivar uma boa prática para as reconhecer e cultivar
Tivemos ainda a oportunidade de fazer algumas exposições e projeções, umas na nossa nova casa em Miguel Bombarda, outras no Cinema Batalha, e de colaborar com o Porto-Post-Doc. Foi assim possível felicitar o passado, com o filme de Nicholas Bouchez, descobrir os enquadramentos congelados e as histórias por detrás de alguns filmes, e contemplar a arte que reside nas profundezas dos oceanos.
EXibições
Sirens
Sirens é um tríptico de curtas-metragens onde assistimos a um encontro entre uma bailarina e três criaturas das profundezas do mar. A música e os movimentos do artista oferecem ao público um portal de ligação. The Sirens faz parte do projeto de investigação em curso da artista Emma Critchley, Soundings, que explora a forma como o filme, o som e a dança podem ser utilizados para nos ligar às profundezas do oceano e trazer à luz a questão premente da exploração mineira em águas profundas.


C for Coffee Installation
Uma série de 7 episódios de conversas livres e desenfreadas entre cineastas sobre cinema à volta de uma mesa de café. Com a participação de Ute Aurand, Valérie Masadian, Gurcan Keltek, Ben Rivers, Carlos Casas e Ana Vaz, Gerard Ortin, e muito mais... Os episódios passaram em loop numa instalação no Café Cinema Batalha.
Freezing Frames exhibition
Freezing Frames convidou os realizadores a revisitarem os seus filmes através de fotogramas específicos, desafiando-os a partilharem algumas histórias que remetessem para essas imagens. Nesta exposição, foi feita uma projeção em loop de episódios de Freezing Frames dedicados aos filmes “A Metamorfose dos Pássaros” de Catarina Vasconcelos, “Lobo e Cão” de Cláudia Varejão, “My Mexican Bretzel” de Nuria Giménez e “Mamá, Mamá, Mamá” de Sol Berruezo Pichón-Rivière. A exposição mostrou também uma seleção dos fotogramas de que os realizadores falaram nos seus episódios.

Também tivemos algumas projeções, tanto na televisão como na vida real!

Cinema Novo: Nada para ver Aqui (2022)
Exibição presencial e televisiva do filme vencedor da edição 2022 do Porto/Post/Doc's Cinema Novo, concurso apoiado pelo Canal180. Realizado por Nicolas Bouchez
TV Special Programming
Foi uma semana de programação com uma variedade de conteúdos produzidos e comissariados pelo Canal180. Desde o conteúdo emblemático 180 ID, que retrata artistas das mais variadas áreas, às conversas sobre cinema entre realizadores com C for Coffee, passando pela música e o que está por detrás da criação de um videoclip, com Diretor ID.

Tivemos também a oportunidade de colaborar com alguns artistas, que participaram em workshops e palestras, o que nos deu a oportunidade de cobrir muito terreno durante a semana: desde como comunicar projectos culturais e artísticos, como obter financiamento para o seu projeto, até de onde vêm as ideias e como as exploramos, entre muitos outros temas e tópicos ricos.

ANA VIOTTI tem uma extensa carreira na documentação de concertos e festivais em todo o mundo, bem como na produção de vídeos musicais e fotografia de artistas. Ana aperfeiçoou o ofício de criação de conteúdos para as redes sociais, tornando-se hábil na criação de uma presença online convincente, tanto para si própria como para os seus clientes, o que a torna uma mentora ideal para criar conteúdos cativantes de forma consistente e construir uma forte identidade digital.

LORETO QUIJADA é uma cineasta com 20 anos de experiência. Explorou extensivamente a forma como diferentes formatos e meios se podem misturar de forma inovadora, tornando-se perita em criar experiências fortes e memoráveis.

GEORGIA TAGLIETTI com mais de 25 anos como Diretora de Comunicações e Digital do Festival Sonar, Georgia ganhou um estatuto lendário neste domínio, tornando-se efetivamente uma força motriz da cultura europeia e desempenhando um papel fundamental em vários outros projetos e iniciativas culturais. Georgia é uma daquelas pessoas que estão sempre à frente da curva, ultrapassando constantemente os limites para criar projectos e marcas culturais de grande sucesso.

FAHR 021.3 são um lugar experimental e criativo que procura repensar e redefinir o espaço através das disciplinas da arte e da arquitetura. Receberam reconhecimento internacional por uma série de projetos.

JESUALDO LOPES é um artista multidisciplinar nascido em Lisboa e radicado em Londres, cujo percurso o levou a tornar-se uma força versátil nos domínios do cinema, dos eventos e do ativismo comunitário.

STATE51 CONSPIRACY é uma empresa de música completamente independente, que acredita no poder de ser diferente e criou um ambiente criativo único para pessoas que gostam tanto de música como eles. Gerem uma editora discográfica e a premiada equipa criativa state51 trabalha em design de produto, produção de vídeo e design gráfico.

ADAM WILLIS é alguém que tem o dom de converter ideias loucas, por vezes bizarras, em filmes incrivelmente memoráveis. Criou videoclips para alguns nomes sonantes, como King Krule, Wolfmother e Steve Mason, entre muitos outros. O trabalho de realização de Willis é único, captando com sucesso uma estética nostálgica, lo-fi e invulgar.

EMMA CRITCHLEY é uma artista que utiliza uma combinação de fotografia, filme, som e instalação para explorar continuamente a relação humana com o ambiente subaquático como um espaço político, filosófico e ambiental.
This article was written by Beatriz Borges and Vítor Serra.
featuring 180 Media Lab: Aftermovie directed by Lourenço Ribeiro.
filmed by Lourenço Ribeiro and Rafael Rodrigues.
180 Media Lab was produced by Canal180 in partnership with Porto/Post/Doc.
Published on December 2023.