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Em novembro de 2020, o Canal180 reuniu pessoas de todo o mundo para repensar novas formas de contar histórias. Durante uma semana, a 180 Media Academy deu voz a profissionais de diversas áreas criativas com um objetivo comum — repensar formatos e temas de mídia.
Mais editorial do que técnico, o programa ofereceu uma perspetiva transdisciplinar e abrangente para a discussão de novos temas, discursos e tendências que estão a marcar o mundo, e que continuarão a fazê-lo na próxima década. Estávamos cientes de que as melhores ideias surgem do partilhar perspetivas, por isso, num momento de crescente abundância de conteúdo, decidimos criar um evento que desse espaço para imaginar o futuro dos novos conteúdos digitais.
Estamos a viver no olho de uma mudança global: uma revolução de formatos. Novos formatos estão a nascer, a crescer exponencialmente, e os contadores de histórias estão a virar a página das narrativas tradicionais e a reformular a forma como o público vê o conteúdo. Isto, de certa forma, não é surpreendente. As manifestações artísticas têm sido uma variante consistente ao longo dos anos, nunca deixando de se afirmar em tempos incomuns e difíceis. Então, por que razão este tempo seria diferente?
Que tendências mais impactaram o mundo online? Está a tornar-se mais fácil contar histórias nos dias de hoje? Quais são as vozes mais ativas cultural e socialmente? Como podemos usar esta diversidade de mídia para aumentar a consciencialização?
THOUGHTS ON NEW MEDIA FORMATS
Thoughts On New Media Formats confronta quatro temas diferentes, cada um acompanhado de opiniões diversas e únicas dos oradores Ferran Avila, Thomas Gorton, Camila Cornelsen, Suzanne Tromp, Meghan Oretsky, Alejandra Smits e Amar Ediriwira. Em primeiro lugar, falamos sobre a dissipação das fronteiras, tanto físicas como artísticas. A expansão do que é a criatividade para além do que se vê e a busca interminável por conteúdo distante do que estamos habituados a encontrar e, em última instância, saindo da bolha cultural.
"Eu sempre me vi sozinha", diz Camila Cornelsen. A incapacidade de aceder a conteúdo de todo o mundo pode castrar a forma como alguém se sente em relação ao processo criativo e ao que é ou não possível. É essencial expandir a mente e ver o que é a arte fora da zona de conforto. Novos formatos trazem novos desafios na distribuição de conteúdo. Mais do que nunca, os artistas sentem a necessidade de ter uma capacidade maior de adaptação aos novos meios que surgem. A importância de afrouxar o controlo sobre a guarda do conteúdo está a tornar-se mais evidente, à medida que as pessoas procuram narrativas com ênfase nas questões sociais atuais.
“
Tens de sair e encontrar essas histórias para conseguir mostrar o que a criatividade ao redor do mundo representa.
”
— Suzanne Tromp, curadora da WePresent
Meghan Orestky, membro da equipa de curadoria da Vimeo, mergulha na necessidade de ter uma plataforma onde artistas menos conhecidos tenham a oportunidade de fazer a sua voz ser ouvida – “Isto é um reflexo do que é o mundo.” O designer e músico Ferran Avila ilustra como os artistas já não são apenas uma coisa, mas sim personagens multimédia, porque “têm de habitar todos estes diferentes meios, para se tornarem relevantes.”
O papel dos jovens na difusão de mensagens e na criação de conteúdo significativo é colocado em cima da mesa. Os tradicionais portões das narrativas estão a ser abertos, permitindo que novas histórias disruptivas ganhem liberdade. “Tens de ouvir os miúdos”, afirma Thomas Gorton, diretor de Projetos Especiais da Dazed Media. Ele acredita que os jovens têm uma maior perceção das mensagens poderosas e da sua ligação a grandes questões sociais. O estado do conteúdo está a mudar. Novas opiniões e perspetivas estão a invadir o espaço do conteúdo e o processo de se habituar a consumir conteúdo de uma maneira diferente.

FERRAN AVILA
Ferran Avila é um designer e músico baseado em Barcelona, atualmente parte da equipa criativa do Primavera Sound e do Vampire Studio. Foca a sua prática em novos meios, experimentando com novos formatos e processos interdisciplinares.

CAMILA CORNELSEN
Camila Cornelsen é uma diretora, fotógrafa e cineasta baseada em São Paulo, Brasil. Fotografou dois longas-metragens, uma série da HBO, vários comerciais, videoclipes e documentários. Trabalhou para grandes marcas internacionais como NIKE, APPLE, GOOGLE, INSTAGRAM, VOGUE e NETFLIX.

SUZANNE TROMP
Suzanne Tromp é a editora responsável pelo conteúdo do site WePresent da WeTransfer. Suzanne também lidera a área de diversidade para a equipa de conteúdo da WeTransfer, garantindo que o WePresent seja representativo e destaque vozes e perspetivas diversas de todo o mundo.

THOMAS GORTON
Thomas Gorton é editor digital e diretor de Projetos Especiais na Dazed Media e uma das metades da dupla de produção God Colony.

ALEJANDRA SMITS
Alejandra Smits é escritora, diretora e intérprete baseada em Barcelona. Experimentou com a narração, estudando a sua natureza e fronteiras.

JON URIARTE
Jon Uriarte é uma fotógrafa espanhola e professora de fotografia baseada em Barcelona, sendo atualmente a curadora de programas digitais na Photographer’s Gallery em Londres.

MEGHAN ORETSKY
Meghan Oretsky é membro da equipa de curadoria da Vimeo, para a qual assiste e seleciona milhares de curtas-metragens por ano. Também criou o Ladies With Lenses, uma coleção de curtas-metragens excepcionais feitas por mulheres, e organizou exibições de alguns desses filmes em locais como a Brooklyn Academy of Music, o Museum of the Moving Image e o VICE.

AMAR EDIRIWIRA
Amar Ediriwira é o diretor criativo da Boiler Room. Também é o fundador e diretor criativo da plataforma de cinema 4:3 da Boiler Room, lançada em 2018. Amar curou eventos e deu palestras em galerias e festivais, incluindo o V&A, Tate, Palais De Tokyo, ICA, CPH:DOX, Sheffield Doc Festival e SXSW.

HELEN JOB
Helen Job é a Head of Insight da TCO, o proprietário dos meios de comunicação por trás da marca de cultura jovem Huck e da revista de cinema e entretenimento Little White Lies. Trabalhou durante duas décadas na previsão de tendências futuras, liderando equipas globais e multidisciplinares de futuros e estratégia para a Flamingo, WGSN e MTV em Nova Iorque e Londres.

WOUTER JANSEN
Wouter Jansen, ex-responsável pela programação de filmes no Go Short Film Festival, qualificado para o Oscar, agora é responsável pelas Vendas e Festivais na Square Eyes — uma agência de distribuição de vendas e festivais que ajuda filmes excepcionais não-mainstream a encontrar o público e o reconhecimento que merecem.

VICTOR MORIYAMA
Victor Moriyama é um fotojornalista brasileiro baseado em São Paulo, cobrindo a América do Sul e a floresta Amazônica para a imprensa internacional e ONGs, incluindo contribuições regulares para o The New York Times, Bloomberg, Le Monde, National Geographic Brasil e El País. Está comprometido em documentar os processos de violência que prevalecem nas relações sociais e ambientais no Brasil.
This article was written by Maria Inês Moreira, Carolina Ribeiro and Nicole Gonçalves
featuring Thoughts on New Media Formats directed by Carolina Ribeiro, produced by Luís Fernandes and with graphics by João Parra.
Proofreading and translation of the video and this article by Eva Magro.
Published on February 2021.